quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013


em um hospital lisboeta
eu estava internada há tempos
lia tantas vezes o mesmo parágrafo
transformando o que eu sinto
em metáforas
meses em ausência
verões em casais
e apenas nós, somente nós.
no hospital, ninguém me conhecia
eu era apenas um fantasma percorrendo os corredores
de pés descalços, de mente lânguida
procurando em outros quartos
a cama certa
para morrer em paz.
nenhuma doença caçava a minha anatomia,
apenas aquela
que matava-me após cada refeição
e, após algumas horas,
eu perdia um pedaço de mim
para a garganta inflamada.

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