quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

a vida envenenou
teus lábios bordados por cetim
por um beijo tu passaste
todo o veneno
para mim.

divirtam-se por mim


não me chamo Valentina,
nem Valéria
e nem Vanessa.
não sento nos bancos da cidade
não caminho entre as bancas de jornal
e nunca achei dinheiro no chão.
não construo casas,
não comando a província.
não tomo café em copo plástico,
não toco violão no centro da cidade.


não procuro ninguém.
ninguém me procura.
sobrevivo às custas de outros.
outros sobrevivem às minha custas.

(publicada na Zero Hora dia 04/02/2013)

Tu


Tu, monossílabo inquieto
Encosta em mim
Deixa-me plantar
Um amor
Nesse teu peito barulhento
Você, dissílabo distante
Procura em mim
Tua liberdade
Rosto pálido, limpo de impurezas
Coloca em mim
Tua vontade de ser feliz

(publicado na Zero Hora, na penúltima página, de um dia que eu não lembro)